Mulheres indígenas fazem shows grátis de carimbó em Macapá

CULTURA Musica 19/10/2026 14:12 O Liberal oliberal.com Macapá AP

O grupo Suraras do Tapajós, formado só por mulheres indígenas, apresentará dois shows gratuitos em Macapá. A turnê 'A Voz da Resistência' já passou por várias cidades e oferece oficinas de cultura, moda e som para o público.

As Suraras do Tapajós, primeira banda de carimbó no Brasil formada apenas por mulheres indígenas, se apresentarão gratuitamente em Macapá, no Amapá. Os dois shows acontecem nos dias 27 e 28 de outubro. A primeira data é no Festival Quebramar, no Parque Residência, no centro da capital. A segunda apresentação terá o local divulgado pelas redes sociais do grupo.

A visita da banda à capital amapaense traz uma agenda cultural completa. Além da música, o público poderá participar de oficinas de ritmos, moda sustentável e visitar uma feira de artesanato indígena, enriquecendo a experiência local.

  • A banda é a primeira de carimbó formada exclusivamente por mulheres indígenas.
  • A turnê começou em abril, no Dia dos Povos Indígenas, marcando os 8 anos do grupo.
  • O projeto foi aprovado na seleção Petrobras Cultural e usa recursos da Lei Rouanet.
  • O grupo já se apresentou em países como França, Portugal e Finlândia.
  • As cantoras usam instrumentos tradicionais como curimbó e maracas de cuia.

Turnê nacional celebra resistência indígena

A turnê, chamada de Suraras do Tapajós - Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência, iniciou em 19 de abril, em São Paulo. O projeto já visitou cidades nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, totalizando 12 paradas. Até dezembro, a agenda inclui shows em Ouro Preto (MG), Salvador (BA), Manaus (AM), Natal (RN), Rio Branco (AC) e São Luís (MA).

Este é o maior projeto de circulação da carreira do grupo. A escolha da data de estreia, 19 de abril, foi estratégica para coincidir com o Dia dos Povos Indígenas. A data celebra também os oito anos de existência do grupo, que se tornou referência na música indígena contemporânea.

Originárias de Alter do Chão, em Santarém (PA), o território do povo Borari, as artistas ocupam um espaço historicamente masculino no carimbó. Elas usam a música para amplificar as lutas pelo protagonismo feminino e indígena na defesa da floresta.

Reconhecimento internacional e patrocínio

O sucesso das Suraras vai além do Brasil. Após turnê no Canadá em julho e pela Europa no ano passado (França, Portugal e Finlândia), o grupo participou da programação da COP30 em Belém. A turnê atual é patrocinada pela Petrobras, realizada pelo Ministério da Cultura e apoiada pela Lei Rouanet.

A produção do projeto é conduzida pela Alter do Som. O repertório mistura canções autorais com clássicos da música paraense, incluindo obras de mestres do carimbó como Dona Onete. As letras falam de natureza, força feminina, ancestralidade e a conexão profunda dos povos com as águas.

O idioma Nheengatu, ainda falado no Baixo Tapajós, está presente nas falas e músicas do grupo. O repertório autoral parte do álbum A Força Que Vem das Águas Kiribasáwa Yúri Yí-Itá e singles recentes, criando um diálogo entre o passado e o presente.

Ritual, dança e espiritualidade amazônica

Nos palcos, as Suraras utilizam instrumentos como curimbós, maracas feitos de cuia, banjo e violão. As vozes seguem a tradição do carimbó, alternando entre solista e coro. A dança é central, convidando o público a participar da roda que se forma no palco, integrando quem assiste ao ritual.

Um momento especial do show é o banho de cheiro com ervas medicinais. Essa prática ancestral amazônica, ligada à cura e proteção, mistura música, dança e espiritualidade. É uma experiência sensorial que aproxima o público da cultura indígena.

Para reforçar a dimensão ritualística, as artistas se apresentam descalças e pintadas com grafismos de jenipapo. Elas vestem saias coloridas artesanais, cocares de penas e usam biojoias, destacando a riqueza da sabedoria artesanal indígena.

A voz de Vall Munduruku e a luta social

Vall Munduruku, artista, ativista socioambiental do povo Munduruku e presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, define o propósito do grupo: Sempre que subimos num palco, representamos nosso povo e nossa região: somos um território encontrando outros.

Vall reforça a ligação entre arte e ativismo: Nossa arte é nossa luta. E vice-versa. Cantamos em defesa do rio, da floresta, das mulheres e dos povos indígenas. É uma luta árdua e é também uma grande celebração. Nossa resistência é pela alegria, pela tradição.

Oficinas, encontros e engajamento comunitário

Em cada cidade da turnê, o grupo promove atividades para aproximar o público da técnica e da tradição. A programação inclui oficina de carimbó, de moda consciente (que respeita a natureza), rodas de diálogo com coletivos locais, pontos de venda de artesanato e oficina de som para jovens que acompanharam os bastidores.

As inscrições para as oficinas e informações detalhadas estão disponíveis no perfil @surarasdotapajos. O público também terá acesso ao Ponto de Encontro Petrobras, uma instalação inspirada na Amazônia e nas mulheres indígenas. Essa troca é muito importante. Entendemos a cultura como uma poderosa ferramenta de transformação social, afirma Vall. Todas as ações, incluindo os shows, contaram com intérprete de Libras.

Quem são as Suraras do Tapajós

Criado em 2018, o grupo nasce do encontro entre arte, ancestralidade e luta social. Usando o carimbó, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2014, as Suraras reafirmam vozes femininas em um ritmo historicamente masculino. Elas ressignificam a tradição sob a perspectiva das mulheres indígenas amazônicas.

O grupo já participou de grandes festivais como Virada Cultural (SP), Coala, Rec-Beat, Se Rasgum e Festival Psica. Também fez temporadas na CAIXA Cultural e turnê nacional pela Bolsa Funarte. Em 2024, marcaram presença no Rock in Rio (edição de 50 anos), unindo carimbó e tecnobrega.

Em 2025, expandiram-se internacionalmente com shows na França, Finlândia (Womex) e Portugal (Festival Mate). Essa trajetória consolida o reconhecimento artístico, técnico e organizacional da banda em diferentes contextos globais.

Integrantes do grupo

Além de Vall Munduruku, o grupo é composto por mulheres de diversos povos e perfis profissionais:

  • Adelina Borari: do povo Borari, graduanda em Arqueologia, ativista e compositora.
  • Carol Pedroso: do povo Borari, ativista, secretária, cantora e acadêmica de Gestão Ambiental.
  • Estefane Galvão: ativista socioambiental, produtora e banjista.
  • Jaciara Borari: do povo Borari, percussionista, diretora executiva e fotógrafa.
  • Keissiane Borari: do povo Borari, administradora, compositora e produtora executiva.
  • Leila Borari: do povo Borari, turismóloga, ativista e musicista.
  • Marina Arapiun: ativista, pedagoga, maraqueira e dançarina de carimbó.
  • Samara Borari: do povo Borari, dançarina, graduanda em Fisioterapia e diretora de Cultura.

Programação em Macapá (Serviço)

Show 1:

  • Evento: Festival Quebramar
  • Data: 27 de outubro (terça-feira)
  • Hora: 21h30
  • Local: Parque Residência, rua Cândido Mendes, centro de Macapá
  • Entrada: Gratuita

Show 2:

  • Local: Macapá/AP
  • Data: 28 de outubro (quarta-feira)
  • Endereço e horário: Em breve nas redes sociais do grupo.
  • Entrada: Gratuita

Atividades paralelas (27 de outubro):

  • Oficina de Moda Sustentável: 14h, Sala de Eventos do Parque da Residência.
  • Feira Indígena: Durante o show, às 21h30, no Parque Residência.

Atividades paralelas (28 de outubro):

  • Oficina de Técnico de Som: 9h, Sala de Eventos do Parque da Residência.
  • Roda de Conversa: 11h às 12h, Sala de Eventos do Parque da Residência.
  • Oficina de Carimbó: 14h, Anfiteatro do Parque Residência.

Inscrições gratuitas e mais informações em @surarasdotapajos.