Manaus registra poluição elevada e rede estadual suspende aulas

Polícia 19/10/2026 12:31 Da Redação

Os maiores índices foram registrados na região do Distrito Industrial e Mauazinho

 

MANAUS (AM) – Mesmo após a chuva que atingiu a capital amazonense no domingo, 18/10, Manaus amanheceu nesta segunda-feira, 19, com níveis elevados de poluição atmosférica.

Diante das condições do ar, a rede estadual de ensino suspendeu as aulas presenciais em todos os turnos na capital. A medida também foi adotada nas escolas de Autazes e Nova Olinda do Norte, no interior do Amazonas.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontam que 12 das 16 estações de monitoramento analisadas registraram qualidade do ar entre “ruim” e “muito ruim”, com concentrações de partículas finas (PM2,5) acima de 50 microgramas por metro cúbico (µg/m³).

O maior índice foi registrado na região do Distrito Industrial e Mauazinho, onde a concentração chegou a 95,9 µg/m³. Em seguida aparecem Morro da Liberdade e Educandos, com 89,5 µg/m³; Petrópolis e Cachoeirinha, com 83,5 µg/m³; Compensa e São Jorge, com 80,2 µg/m³; e Centro e Praça 14 de Janeiro, com 79,9 µg/m³.

Nenhuma das 16 estações analisadas apresentou qualidade do ar classificada como boa. Os dados correspondem às medições disponibilizadas na manhã desta segunda-feira e podem variar ao longo do dia.

Rede estadual suspende aulas

A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) informou que as aulas nas escolas estaduais de Manaus foram suspensas nesta segunda-feira, em todos os turnos, para prevenir a exposição da comunidade escolar à fumaça.

No interior do estado, a suspensão também foi adotada nas escolas de Autazes e Nova Olinda do Norte.

O documento orienta a adoção de medidas preventivas para proteger a saúde e o bem-estar da comunidade escolar diante das condições da qualidade do ar. Também estabelece estratégias pedagógicas e registros formais a serem adotados durante a suspensão das atividades presenciais.

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) também suspenderam atividades acadêmicas e administrativas presenciais entre os dias 19 e 23 de outubro.

Já a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspendeu as atividades presenciais nesta segunda-feira e terça-feira, 20, em Manaus e no campus de Itacoatiara. Segundo a instituição, as atividades poderão ocorrer de forma remota ou assíncrona.

Na rede municipal, as aulas presenciais também foram suspensas nesta segunda-feira. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) orientou os professores a seguir as recomendações pedagógicas encaminhadas anteriormente para garantir a continuidade do ensino.

IQAir registra índice de 118 pontos

A plataforma internacional IQAir também indicou condições preocupantes em Manaus. Às 7h desta segunda-feira, o sistema registrou 118 pontos no índice norte-americano de qualidade do ar (US AQI), com classificação de “não saudável para grupos sensíveis”.

A concentração de PM2,5 informada pela plataforma era de 42,7 µg/m³. O levantamento reunia dados de quatro estações, mantidas por quatro contribuidores.

No mesmo horário, a temperatura era de 27 °C, com ventos de 7 km/h e umidade relativa do ar de 64%. A plataforma também indicava um alerta regional relacionado a uma onda de calor no Norte do Brasil.

Distrito Industrial concentra os maiores índices

Dados da qualidade do ar na manhã desta segunda-feira, 19/10 (Foto: SELVA – Aplicativo)

Além das regiões com as maiores concentrações, outros pontos da capital também apresentaram níveis elevados de partículas finas.

No Dom Pedro e na Chapada, a medição foi de 73,8 µg/m³. No Aleixo e no Coroado, chegou a 73,3 µg/m³. São Raimundo registrou 72,2 µg/m³, enquanto outra estação do Aleixo marcou 71,1 µg/m³.

No Distrito Industrial I, na região da Vila Buriti, a concentração foi de 65,7 µg/m³. Cidade Nova e Colônia Terra Nova registraram 63,7 µg/m³; Chapada e Nossa Senhora das Graças, 60,1 µg/m³; e Parque Dez de Novembro e Flores, 53,9 µg/m³.

Entre os pontos com menores concentrações, Coroado e Armando Mendes registraram 49,8 µg/m³, enquanto Puraquequara apresentou 49,2 µg/m³. No Tarumã-Açu, próximo ao aeroporto, a medição foi de 32,3 µg/m³. Esses três pontos foram classificados como moderados na escala utilizada pelo SELVA.

Chuva trouxe alívio temporário

No domingo, a chuva que atingiu Manaus pela manhã contribuiu para reduzir a concentração de partículas suspensas na atmosfera.

Em um dos pontos monitorados, o índice caiu de 258,3 µg/m³ para 79,9 µg/m³ após a precipitação. Apesar da redução, o registro permaneceu na categoria “muito ruim”, conforme a classificação informada para o sistema.

A chuva favorece a remoção de parte das partículas presentes no ar, mas o efeito varia conforme a região e as condições meteorológicas. As medições desta segunda-feira mostram que a melhora não foi suficiente para normalizar a qualidade do ar em toda a capital.

Queimadas mantêm fumaça sobre a capital

A fumaça que atinge Manaus está relacionada aos focos de queimadas registrados no Amazonas. Dados do Painel do Fogo citados no levantamento apontaram 2.675 eventos de fogo em setembro e outros 1.021 nos oito primeiros dias de outubro. Em agosto, foram contabilizados 1.008 registros.

Entre os municípios afetados por incêndios estão Itacoatiara, Autazes e Iranduba.

Em Autazes, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 194 focos de calor entre os dias 1º e 15 de outubro.

A fumaça proveniente dessas áreas contribui para agravar a poluição atmosférica na capital. A concentração de partículas, porém, também depende das condições meteorológicas e da dispersão dos poluentes.

Governo federal reforça ações de combate

No domingo, quatro ministros do governo federal chegaram a Manaus para acompanhar as ações de combate aos incêndios florestais e discutir medidas diante da crise provocada pela fumaça no Amazonas.

A comitiva foi formada por José Múcio Monteiro, ministro da Defesa; Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública; João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima; e Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Também participaram da agenda o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, equipes técnicas e representantes da Casa Civil.

A visita ocorreu após Manaus registrar concentrações extremas de partículas finas no sábado, 17. Dados do SELVA apontaram 514,8 µg/m³ de PM2,5 em uma estação às 9h26.

Durante a agenda, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o governo federal poderá ampliar o apoio financeiro e operacional conforme as necessidades identificadas pelas equipes.

“As Forças Armadas vão entrar fortemente e o governo federal vai apoiar tudo o que for necessário”, declarou.

Segundo o ministro, os recursos destinados às operações poderão ser ampliados de acordo com a demanda.

Poluição representa riscos à saúde

O PM2,5 é formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, elas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a concentração média de PM2,5 não ultrapasse 15 µg/m³ em um período de 24 horas. Para a média anual, a diretriz é de 5 µg/m³. Esses valores correspondem a médias de períodos específicos e não devem ser comparados diretamente com leituras pontuais dos sensores.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica.

Durante períodos de fumaça intensa, a orientação é reduzir a prática de exercícios físicos ao ar livre, evitar exposição prolongada à fumaça e manter os ambientes internos protegidos da entrada de poluentes sempre que possível.

Pessoas com falta de ar, chiado no peito ou agravamento de sintomas respiratórios devem procurar atendimento médico.