Hospital de Belém é referência em neurologia e tratamento rápido de AVC

SAÚDE AVC 29/10/2026 18:06 Danielle Dias - Agência Belém agencia.belem.pa.gov.br Belém PA

Com equipe especializada e atendimento rápido, hospital realizou mais de 1.400 avaliações neurológicas em seis meses. Saiba como reconhecer os sintomas e por que cada minuto conta.

No Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), lembrado em 29 de outubro, é importante reconhecer os sintomas e procurar ajuda médica imediatamente. Em Belém, o Hospital Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, também chamado HPSM da 14 de Março, tem atendimento especializado em Neurologia e uma equipe multiprofissional para avaliar, acompanhar e reabilitar pacientes com suspeita ou diagnóstico de AVC.

Entre 16 de abril e 20 de outubro de 2026, o serviço de Neurologia da unidade fez 1.432 avaliações. Desse total, 1.072 (74,9%) resultaram em alta do paciente ou continuidade do acompanhamento no próprio hospital. Outras 200 avaliações tiveram indicação de transferência para neurocirurgia, e 157 foram encaminhadas para continuidade em neurologia. Em 3 casos, foi necessária fisioterapia.

  • O HPSM da 14 é porta de entrada para suspeitas de AVC em Belém.
  • O tempo é crucial: o tratamento com trombolítico é eficaz até 4,5 horas após o início dos sintomas.
  • O cantor Nilson Chaves sofreu um AVC isquêmico e teve recuperação rápida.
  • Nos casos de AVC, cada minuto conta para reduzir sequelas.
  • Fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição são aliadas na recuperação.

Os números mostram a participação da equipe especializada na condução dos casos e na organização do atendimento. O índice de 74,9% não representa cura ou alta hospitalar, mas sim que os pacientes tiveram alta da neurologia ou continuaram o tratamento na unidade.

Atendimento especializado e rapidez na avaliação

O neurologista Vitor Hugo Nunes explica que o atendimento começa com a avaliação clínica. Quando há suspeita de um problema neurológico agudo, o médico clínico chama a equipe de neurologia para uma avaliação especializada, que pode incluir exame físico, tomografia de crânio e exames de laboratório.

A investigação é importante para identificar o tipo de AVC e orientar o tratamento. Existem dois tipos principais: o isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria, e o hemorrágico, quando há sangramento.

É importante que ele seja atendido o mais rápido possível porque, numa janela de 4 horas e meia, ele tem a oportunidade de fazer o trombolítico, que é um medicamento aplicado na veia que dissolve o trombo, podendo desobstruir a artéria e garantir uma recuperação mais rápida, explica o neurologista.

O médico ressalta que a equipe especializada também ajuda a diferenciar o AVC de outras condições que causam sintomas parecidos, como infecções e alterações metabólicas. A partir da avaliação, os profissionais decidem se o paciente continua no hospital ou é transferido para outro serviço, especialmente nos casos que precisam de neurocirurgia.

Segundo Vitor Hugo, o hospital atende casos de AVC todos os dias, com média de cinco pacientes por dia. Ele destaca que chegar tarde ao hospital, especialmente quem vem do interior ou de lugares distantes, pode atrapalhar o acesso ao tratamento no tempo ideal.

Recuperação de Nilson Chaves mostra valor do atendimento rápido

A importância do atendimento de urgência também ficou clara no caso do cantor e compositor paraense Nilson Chaves, que teve um AVC isquêmico. Segundo o neurologista, o artista chegou ao pronto-socorro com perda de força no lado direito e foi atendido na sala vermelha.

Após a avaliação, Nilson foi transferido para a UTI do Hospital Beneficente Portuguesa, onde ficou em observação. Ele recebeu alta na manhã de 24 de outubro e seguiu para casa, de acordo com a equipe de comunicação do artista.

Em nota de agradecimento, o cantor reconheceu o trabalho dos profissionais que o atenderam nos dois hospitais.

Quero agradecer à Prefeitura de Belém pelo empenho, especialmente a todos os profissionais de saúde que me atenderam no HPSM Mário Pinotti e no Beneficente Portuguesa. Todos foram fundamentais desde o primeiro momento na emergência até a alta. Foi tudo muito rápido e fui muito bem-tratado, disse.

Nilson não teve sequelas graves e segue com fisioterapia e fonoaudiologia. O caso mostra a importância do atendimento precoce, mas também que a recuperação depende da gravidade do AVC, da região do cérebro afetada e do tempo até o tratamento.

Fisioterapia para recuperar movimentos e autonomia

A assistência ao paciente com AVC não termina quando ele é estabilizado. A recuperação pode exigir várias especialidades, incluindo fisioterapia, que ajuda na preservação e recuperação da função.

O fisioterapeuta intensivista Charles Richardson Moreira explica que o trabalho pode começar na sala vermelha ou UTI, conforme o quadro. Em casos graves, a equipe acompanha a respiração e auxilia na ventilação mecânica. Quando o paciente melhora, o foco é a mobilização e a recuperação dos movimentos.

Conforme o estado clínico do paciente avança, a gente atua, ajudando a ajustar a condição motora e respiratória, diz Charles.

A mobilização é progressiva: o paciente pode aprender a sentar, se exercitar, ficar de pé e caminhar aos poucos, conforme a evolução.

Se houver sequelas, a reabilitação pode envolver fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, com o objetivo de devolver ao máximo a funcionalidade e ajudar nas atividades diárias.

Alimentação também ajuda na prevenção e recuperação

A alimentação também tem papel importante na prevenção e recuperação do AVC. O nutricionista Walter Gomes orienta reduzir alimentos ultraprocessados, ricos em sódio e gordura, e priorizar uma dieta equilibrada.

As recomendações incluem frutas, verduras, legumes, carnes, peixes e frango preparados de forma saudável, e evitar embutidos e refrigerantes.

Em pacientes que tiveram AVC, a nutrição é adaptada a cada caso. Alguns podem ter dificuldade para engolir (disfagia), exigindo avaliação e ajuste da consistência dos alimentos, junto com a fonoaudiologia.

A orientação alimentar continua após a alta, para ajudar na recuperação.

Reconhecer os sintomas pode salvar vidas

O neurologista Vitor Hugo alerta que os sintomas do AVC aparecem de repente. Entre eles, perda de força em um lado do corpo, dificuldade para falar e sonolência súbita. Convulsões também exigem atendimento imediato.

Ao perceber esses sinais, é preciso ir ao pronto-socorro sem esperar. No AVC isquêmico, o tempo é decisivo para reduzir danos permanentes.

A prevenção envolve controlar pressão, diabetes, colesterol, não fumar e evitar obesidade. Ter acompanhamento médico e hábitos saudáveis é fundamental.

O atendimento especializado, a equipe integrada e os cuidados após a alta fazem parte do tratamento do AVC. No Dia Mundial do AVC, a orientação é: reconhecer os sinais, agir rápido e buscar ajuda médica sem demora.